quinta-feira, 11 de maio de 2017

Diretora de Animação Retrata Atuais Métodos de Produção de Animes e a Situação Atual da Indústria


Kyoko Kotani já trabalhou como diretora de animação em cerca de 70 séries anime, incluindo Jojo”s Bizarre Adventure, Kuroko no Basket e Uta no Prince-sama. Ela também já trabalhou como animadora de key frames em cerca de 150 séries, como Durarara!!, Fullmetal Alchemist: Brotherhood e o último filme de Naruto

Os anos de experiência da Kotani na indústria levaram a NetLab a entrevistar ela sobre as condições de trabalhos na indústria e o aumento de mulheres contratadas. A entrevista foi traduzida pela idango em Cries in Newtype.



Kotani essencialmente fala sobre como o aumento da demanda de animes está colocando a uma massiva marca nos estúdios, do qual tem levado eles no aumento de atraso nos episódios. Ela afirma, “(…) Para se pergunta quando, está ficando cada vez mais frequentes animes são entregue no dia antes do lançamento, ou as vezes no mesmo dia. Eu acho que ainda existam algumas empresas que estão trabalhando sobre essa linha de cortes.”

Kotani declarou que os atrasos têm seus próprios casos cada um, e que podem ser causados pelo diretor nos storyboards, design de personagens não sendo aprovados pelos supervisores, ou diretores de animação sendo sobrecarregados com verificação de frames/cortes. Diferente da animação ocidental, no qual as equipes já trabalham em várias tarefas, dando a produção do anime uma linha única de produção, onde você pode rearranjar eles conforme a demanda, no Japão os funcionários funcionam como "mono tarefa”. Isso vai de encontro com a terceirização e forma de tralhado do Japão.
Se uma seção para, então toda a produção é posta em pausa até que o problema seja resolvido. Muito dos problemas de produção são devido ao planejamento, e Kotani diz que isso acontece quando contratam animadores, pois essas contratações se tornam um “tiro no escuro”.

A maioria dos animadores japoneses são freelancers (trabalhador autônomo, assume projetos e não emprego) que pegam múltiplos trabalhos. Por isso a coleção de talentos de um estúdio pode mudar constantemente a cada episódio (cada episódio pode ter vários animadores distintos, e tende a ser que quanto mais pior). Se olharem nos créditos, notarão que raramente um animador trabalha em uma sequência. A causa disso é que eles são contratados em grupos: grupo 1 trabalha no episódio 1, grupo 2 trabalha no episódio 2, e assim sucessivamente. Isso explica por que a qualidade da animação de um anime para TV pode mudar semanalmente.

Kotani diz que a culpa disso é pela combinação de aumento na produção, estagnação de qualidade nos grupos de animação e uma injustificável agenda de produção. Segundo ela o crescimento dos animes já elevou a criação de novos estúdios, mas isso põe pressão na indústria uma vez que o número de animadores não cresce.

Kotani afirma, “Muitas das novas companhias são grupos independentes atuais, ou sub companhias, ou mesmo parceiros de negócios. Aquelas companhias estão se sobrepondo, mas as novas contratações precisam de tempo para cultivar talento – aumentar o tamanho da equipe não é fácil. Em ordem de não aumentar a equipe, eles trabalham no limite das entregas, com escassez de pessoal em um cronograma surreal e apertado.”


Kotani sugere que o aumento dos orçamentos e números nas equipes enquanto diminuem a quantidade de animes sendo produzidos poderia ajudar a diminuir essa pressão. Mas, desde que muitos estúdios e animadores estejam acostumados a trabalhar em más condições com cronogramas apertados, acabam por entender esse método como “sucesso” ou "padrão de normalidade".

Kotani também fala que animes não são produzidos somente pelos homens como era uma década atrás. O número de mulheres animadoras e na produção assistente tem aumentado, com alguns estúdios com proporção de duas mulheres para cada oito pessoas.


Esse resultado é consequência da combinação das mulheres colocando esforço e tempo nos portfólios junto a busca de empregos e o aumento de interesse nessa área. De acordo com as pesquisas, garotas do ensino médio começaram a colocar "animadora" ou "mangaká" em seus top 2 de interesses de trabalho.

Kotani mostra uma interessante imagem da situação atual da indústria de animes. Outros animadores e diretores também falaram que a quantidade de animes tem que diminuir, enquanto os salários deles precisam aumentar. Até que algo mude na linha de frente, nós podemos esperar mais da indústria trabalhadores argumentando contra o estado atual do sistema.

Notas sobre os significados do fluxograma de produção:

Animador Key ou Animador chave é a pessoa que faz os key frames, os quadros com os movimentos mais importantes em uma animação.

Interpolação refere-se à técnica chamada in-betweens de animação, cujo objetivo é suavizar os movimentos com a interpolação de mais frames entre os key frames.

Retakes traduzido como “testes” refere-se ao procedimento de analisar se determinada cena deve ser refeita.

Fotografia refere-se aos takes visuais em que os arranjos de detalhes e/ou efeitos por trás do frame são mais bem produzidos/caprichados do que o normal.

Impressão Rápida ou "Rush Print" refere-se à cópia positiva da animação e cenários.

Cópia positiva: Refere-se a animação ainda sem finalização, talvez colorida e com efeitos especiais no caso dos animes.
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Fonte: Esse post é uma versão adaptada e traduzida do artigo da Goboiano sobre o mesmo assunto e entrevista. Crédito da tradução da entrevista à Cries in Newtype.





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